3 abr 2020

COVID-19 Impactos nos Resultados Trimestrais

O Conselho emissor do International Accounting Standards Board (IASB) publicou em 27 de março um comunicado.

Como resultado da atual pandemia da COVID-19, o Conselho emissor do International Accounting Standards Board (IASB) publicou em 27 de março uma comunicação na qual sublinha que está a trabalhar em estreita colaboração com órgãos reguladores e mercados de ações sobre a aplicação do IFRS 9 neste ambiente do COVID-19.

O IASB menciona que vários desses reguladores, tanto a nível europeu como global, emitiram recomendações sobre a aplicação "prudente" desta norma nos resultados do primeiro trimestre de 2020. O IASB incentiva as entidades a levar em conta essas recomendações dos reguladores.

Os supervisores do mercado de valores mobiliários estão a considerar prorrogações dos prazos para submissão da informação anual e/ou trimestral (ESMA na Europa, SEC nos EUA, CNMV na Espanha). Apesar disso, em momento de publicação das contas anuais e da realização das Assembleias Gerais, os regulamentos nacionais e internacionais foram modificados para incluir nessas contas anuais qualquer impacto considerado derivado dos efeitos do COVID-19. No entanto, os supervisores incentivam as entidades a publicar os possíveis impactos, desde que as estimativas sejam confiáveis. Mas o que podemos esperar das apresentações trimestrais de resultados às quais as entidades nos acostumaram?

A volatilidade nos mercados disparou e os preços das empresas refletem incerteza sobre o cenário macroeconómico no curto e médio prazo. As estimativas atuais de uma recuperação em “V” podem ser diluídas se a pandemia se estender ainda mais no tempo e se viajar de país para país, tornando-se uma crise global sem precedentes. Muitas instituições e organizações propõem medidas, algumas derivadas das lições aprendidas com as crises financeiras iniciadas em 2008. Taxas de juros mais baixas, injeções de liquidez dos bancos centrais, ajuda pública e emissão de "coronabonds". Em alguns setores, o cancelamento de dividendos é anunciado, como foi o caso dos bancos europeus após a recomendação da Autoridade Bancária Europeia (EBA) de congelar o pagamento de dividendos até pelo menos 1 de outubro.

Agora que o primeiro trimestre terminou, como analistas financeiros, teremos que estar muito atentos às apresentações de resultados das empresas ou aos possíveis "profit warnings" que elas tornarem públicas. Muitas empresas do IBEX 35 geralmente publicam resultados trimestrais no final de abril ou no início de maio.

Mas poderíamos ver também um atraso na apresentação dos resultados aos mercados? As entidades poderiam esperar o horizonte desaparecer? Precisamos esperar os resultados do primeiro semestre para poder ver um reflexo dos impactos dessa pandemia? Em menos de um mês, teremos a resposta.

Gregorio Gil

Presidente da Comissão de Informações Financeiras e Não Financeiras da IEAF